segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre métodos da estatística

Uma publicação apolítica:

A estatística tem se tornado algo vulgar e mal colocado, pelo menos no que percebo. Nas pesquisas que a envolvem, é muito comum que haja alguns erros lógicos ou metodológicos enormes: tornar o contexto universal, inventar relações de causa e efeito, tomar dados como conclusão, tomar o "ponto" como representação da "curva". O primeiro é muito simples de se perceber e acontece muito na ciência - que tem sido superfície e semelhança, quando se pega duas estatísticas contemporâneas (feitas no mesmo espaço de tempo) que têm resultados diferentes, ou ainda quando se observa as metodologias de determinadas "pesquisas": muitas vezes tiradas em determinados locais específicos, ou seja, sujeitas a classes sociais, culturas, políticas, ambientes diferentes, publicações por toda parte assumem que têm conclusões gerais quando na verdade estão tomando o contexto como universal - acontece muito em pesquisas eleitorais, por exemplo (resultados diferentes para a mesma coisa são provavelmente diferentes contextos). A segunda talvez seja a mais imbecil de todas, que é a que se vê demais em páginas da internet dedicadas a curiosidades, revistas como a Superinteressante e outras coisas de que desgosto bastante. Consiste em pegar duas estatísticas diferentes, relacioná-las e colocar uma como causa da outra sem analisar ou comprovar essa relação. Um exemplo tosco seria questionar as pessoas que vivem por mais tempo sobre seu consumo de sorvete, e pegar o sabor preferido entre elas e relacionar isso com a vida longa - sorvete de abacaxi aumenta o período de vida! Com a terceira, quero dizer que muitas vezes, com determinados dados numéricos, se tira conclusões. Na minha visão, pelo menos, a estatística é instrumento, meio, e não fim ou conclusão. Por último, é um erro tomar o particular como representação do todo, ou o ponto como representação da curva. Exemplifico: se, num determinado tipo operação médica, 90% dos pacientes morrem, não significa que numa operação específica o paciente tenha 90% de chance de morrer. Essa é uma estatística de quantos morrem e sobrevivem em contextos diferentes e posterior às operações. Numa operação específica, se tem inúmeras variáveis, como qualidade do serviço, saúde do paciente, tempo, materiais, etc. Um paciente sujeito a ponte de safena numa vila do Acre não tem a mesma perspectiva de sobrevivência que um paciente sujeito a ponte de safena num hospital de luxo. Então, ou o paciente morre ou não morre, depois é que se inclui ele nos 90% ou nos 10%.

Devo essas percepções minhas a uma conversa com o Guilherme Costa Silva e a última aprendi com o Paulo De Tarso Presgrave Leite Soares - obrigado.

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